quarta-feira, 20 de março de 2013

Um cárcere que "protege"...

Desde minha juventude tive uma sensação que não sabia explicar ou descrever em relação de como enxergava a vida... Apenas sentia que algo me era diferente aos demais e confesso que isso me incomodava, mas como era inexperiente demais para saber, ignorei os fatos e as sensações e segui a vida como me cabia viver! Com o passar dos anos consegui digamos assim "interpretar" aquela sensação que há anos me causava um desconforto, e pude chegar a uma modesta conclusão pessoal de que o motivo que me causava um sofrimento e uma angústia até então desconhecida de fato por mim, era o simples fato de eu me ver vivendo uma vida em meio a uma "prisão" imaginária, ou seja, como um pássaro que injustamente é aprisionado em uma gaiola, sem se quer ter a escolha de estar ali, é condenado a olhar e admirar a vida através das grades de sua gaiola e ainda assim, presenteia o mundo e os que o cercam e o admiram através de seu cárcere, com seu canto! Essa mesma sensação se faz presente em meus dias atuais, e posso afirmar com toda convicção de que  não tem mudado muito a minha forma de ver e viver a vida... Embora existe um detalhe importante entre mim e o pássaro da gaiola, que é o simples fato de que posso abrir de vez em quando a porta da "prisão" em que me encontro e alçar vôos em busca de uma tão sonhada liberdade, que hoje em dia já me questiono se é mesmo necessária e benéfica a mim!!! Sabe, digo isso porque o fato de estar livre e bater as asas atrás de novas experiências, de novas emoções, de realização pessoal, de um novo lugar onde possa de fato esquecer que um dia fui "aprisionado" em tal gaiola da vida, não significa que estou protegido... Pelo contrário, é triste ter que admitir, mas todas as vezes que tentei me arriscar, que ousei voar alto e para longe das grades que me continham, por diversas vezes fui ferido, fui arrastado por um vento forte e impetuoso que me jogava ao chão, e ao buscar abrigo e segurança para realizar um pouso, não podia encontrar receptividade, e acabava voltando, com dificuldades em levantar vôo e de asas machucadas, que por fim me traziam de volta a uma realidade de onde nunca deveria ter saído. É por esse motivo que tenho refletido muito sobre minha condição de ver e viver a vida, essa mesma condição e sensação que brotou em mim lá atrás, quando ainda era um adolescente, e inocentemente não imaginava que um dia acharia mais seguro continuar a olhar o mundo, a vida, as pessoas, os anos, as emoções, os sonhos e tudo mais que um ser humano tem por direito possuir e conquistar ao longo de sua jornada, através das grades de uma gaiola... E ainda aceitar que será melhor viver em um cárcere que "protege", a ter que me arriscar em mais um vôo!!!!!!!

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